BARBOSA, Eduardo Fernandes. MOURA, Dácio Guimarães de. Metodologias ativas de aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica. B. Tec. Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n.2, p.48-67, maio/ago. 2013.
Juciéle Rocha Sobreira El Abed
Neide Dutra da Cruz
Débora Cristina Macorini Ocon
Gisele Pavanelli Souza
Thales Fernando Santos Souza
Com base na leitura e reflexão do texto “Metodologias ativas de aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica”, de autoria de Eduardo Fernandes Barbosa e Dácio Guimarães de Moura, é possível observar as possibilidades de metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem, voltada para a implementação de competências profissionais.
Por meio dessa leitura os autores descrevem as possibilidades de leitura sobre as Metodologias ativas de aprendizagem. Essa abordagem educacional já utilizada em algumas escolas brasileiras, rompe com o modelo educacional tradicional. O diferencial da metodologia ativa está diretamente na relação de construção do cotidiano escolar. O diferencial é o lugar que o estudante ocupa no processo de aprendizagem, isso é, este assume como protagonista de sua própria história social-educacional.
Os autores do texto em estudo, apresenta a possibilidade da Aprendizagem Baseada na solução de conflitos e a Elaboração de projetos para a formação Profissional e Tecnológica, especificamente por meio desse texto é possível refletir sobre a metodologia e ainda repensar os próprios métodos.
Um dos elementos apresentados pelos autores é a educação inclusiva e humanizada, que com o foco principal na discussão das metodologias ativas, pode ser visualizada por Moura e Barbosa como uma necessidade social, assim:
[...] mesmo que o sistema educacional forme indivíduos tecnicamente muito bem preparados, é indispensável que eles sejam capazes de exercer valores e condições de formação humana, considerados essenciais no mundo do trabalho contemporâneo, tais como: conduta ética, capacidade de iniciativa, criatividade, flexibilidade, autocontrole, comunicação, dentre outros [...] (MOURA; BARBOSA 2013, p. 52)
Sendo assim, para os autores não basta que o aluno tenha capacidade técnica apenas, é preciso agregar ao processo de aprendizagem valores e princípios que devem permear a futura atividade laborativa do mesmo.
Portanto, a necessidade por mudanças no processo de ensino-aprendizagem se dá ao longo do processo histórico e social, no entanto o ritmo prático das mudanças são díspares em relação ao ritmo da transformação da humanidade. E, em meio a essas transformações a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) surgem como uma possibilidade, na qual o egresso dos cursos de EPTs possam viver/conviver “tranquilamente” nas complexas relações societais.
Nesse contexto, pode-se considerar que no Brasil há diversidades de metodologias de ensino e aprendizagem, com isso Moura e Barbosa (2013, p. 51), relatam que “Entre esses extremos de diversidade, encontramos escolas que estão no século XIX, com professores do século XX, formando alunos para o mundo do século XXI”, isso é a comunicação entre estrutura, professores e estudantes são/estão em tempos diferentes.
Não obstante, o contexto educacional diversificado existente leva a uma educação de segregação tanto no que tange a perspectiva pedagógica quanto a social, uma vez que o desnivelamento educacional reflete diretamente na estrutura sócio econômica do país, refletindo diretamente na produção cultural.
Vejamos Moura e Barbosa (2013, p 51):
No Brasil, convivemos com contextos educacionais tão diversificados que vão desde escolas onde os alunos ocupam grande parte de seu tempo copiando textos passados no quadro até escolas que disponibilizam para alunos e professores os recursos mais modernos da informação e comunicação.
Segundo os autores supracitados, o ritmo da economia mundial, assim como o desenvolvimento da tecnologia influenciam diretamente nos modelos de escolas/educandos que construímos. Criou-se uma demanda educacional na qual a necessidade de reestruturação na relação educador-educando é primordial, e essa relação se dá por meio das metodologias; para os autores as metodologias ativas são possibilidades no contexto da atualidade.
Assim, as Metodologias Ativas são formas de conhecimento apresentadas a partir de um problema que segue de estratégias criadas e vivenciadas pelos atores, bem como a partir de projetos colaborativos e interdisciplinares, tendo como foco o desenvolvimento de competências e habilidades.
Se a prática de ensino favorecer o aluno nas atividades em ouvir, ver, perguntar, discutir, fazer e ensinar, estamos seguindo para o caminho de aprendizagem ativa.
Para envolver o aluno ativamente no processo ativo de aprendizagem ele precisa interagir com o assunto, tendo o professor como orientador do texto, ele precisa estar ocupado em resolver problemas e criar projetos.
A aprendizagem ativa acontece quando o aluno interage com o conteúdo, ouvindo, falando, perguntando, discutindo e o professor atua como orientador.
Por esse prisma, podemos inferir que o aluno passa a ser um agente de transformação, tanto de si mesmo quanto da sala, uma vez que mediado pelo professor, tende a transferir o conhecimento adquirido fixando a aprendizagem que o conflito lhe trouxe.
Nessa esteira segue as palavras de Moura e Barbosa (2013, p. 55) “(...) Se nossa prática de ensino favorecer no aluno as atividades de ouvir, ver, perguntar, discutir, fazer e ensinar, estamos no caminho da aprendizagem ativa (...)”
No modelo das Metodologias Ativas, os conflitos produzem o conhecimento, o qual junto com as atividades colaborativas dar-se-a vazão para o processo em si, formando seu ciclo: aluno, professor e ambiente escolar, conjunto que deve estar no mesmo compasso para que tenhamos assim a prática baseada nas metodologias ativas. Utilizando métodos e estratégias que envolvam o aluno diretamente no processo de aprendizagem, metodologias que promovam a aprendizagem ativa.
A aprendizagem baseada em problemas é antiga, surgiu na década de 1960, hoje mais conhecida como ABProb, uma aprendizagem centrada no aluno que deixa de ser um receptor passivo e passa a ser um agente ativo de seu aprendizado e o professor passa a ser orientador seguindo sequências de trabalho que podem variar de acordo com o conhecimento prévio e o que deseja alcançar, em cada etapa o aluno tem a oportunidade de se envolver, favorecendo sua aprendizagem, transformando o problema em motivação, uma metodologia muito diferente das metodologias convencionais. O professor passa a ter uma função mais ampla, mediando discussões e mantendo a atenção dos alunos em problema ou questão específica , motivando-os a pensar, observar, raciocinar e compreender.
Para que esse método de ensino possa funcionar com êxito, as instituições escolares deverão passar por adequações de espaços e tempo, investir na formação e capacitação dos professores, no corpo técnico e administrativo, na infraestrutura escolar, mobiliário e nos equipamentos.
O texto chama atenção para a aprendizagem significativa, a qual não acontece quando conceitos e habilidades intelectivas construídas com métodos tradicionais de ensino acabam tendo pouco ou nenhum significado para os alunos, resultando em uma formação deficiente no contexto da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Uma referência sobre a aprendizagem significativa e que faz um paralelo com a ABProj é dada por Gadotti (1994) apud Moura e Barbosa (2013, p 62) :
A aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que o material a estudar se relaciona com os seus próprios objetivos.[...] É por meio de atos que se adquire aprendizagem mais significativa. A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo. A aprendizagem auto iniciada que envolve toda a pessoa do aprendiz – seus sentimentos tanto quanto sua inteligência – é a mais durável e penetrante (GADOTTI, 1994).
Para promover a aprendizagem ativa é necessário que o aluno não só pense no que fazer como também sinta o que está fazendo e combine um conjunto de funções mentais; pensar, raciocinar, refletir, entender, combinar, que são características de atitudes ativas de inteligência.
Ainda no contexto do conhecimento significativo, a aprendizagem a partir de projetos (ABproj), deve levar em consideração alguns aspectos mencionados no texto: os projetos desenvolvidos pelos alunos no contexto escolar podem apresentar diferentes variações. Moura (1993), apresenta uma classificação de projetos de trabalho, também denominados Projetos de Aprendizagem, que tem sido utilizada em diversas situações na Educação Profissional, com resultados positivos conforme analisados por Wanderley (1999) e Higino (2002). Os projetos desenvolvidos sob a metodologia de ABProj podem ser classificados em três categorias:
– Projeto construtivo: objetiva construir algo novo, introduzir alguma inovação, propor uma solução nova para um problema ou situação. Possui a dimensão da inventividade, seja na função, na forma ou no processo.
– Projeto investigativo: destina-se ao desenvolvimento de pesquisa sobre uma questão ou situação, mediante o emprego do método científico.
– Projeto didático (ou explicativo): procura responder questões do tipo: “Como funciona? Para que serve? Como foi construído?” Busca explicar, ilustrar, revelar os princípios científicos de funcionamento de objetos, mecanismos, sistemas etc.
Algumas diretrizes são fundamentais para o desenvolvimento do projeto, segundo Moura e Barbosa (2011, p. 63).
Os projetos devem ser desenvolvidos por grupos de alunos; bem como ser desenvolvidos com tempo determinado; escolha do tema; utilizar múltiplos recursos; apresentação dos resultados obtidos. Existem diferenças significativas entre os dois métodos: ABProb versus ABProj.
De acordo com os autores, o método ABProb se origina através de problemas definidos pelo professor, tem curta duração com etapas bem definidas sem obrigatoriedade do produto final e no método ABProj a situação problema é definida pelos alunos mediados pelo professor, tem uma média duração com apresentação do produto final. Os dois métodos resultam em uma efetiva formação para o mundo de trabalho, uma aprendizagem significativa e interdisciplinar, desenvolve a criatividade e a inovação. Nas tecnologias ABProb e ABProj os resultados são comprovados. A finalidade dos projetos é aprender na prática, no fazer, sendo que os alunos que vivenciam essa experiência apresentam resultados positivos e ampliam seus conhecimentos.
As metodologias ativas permitem que os alunos aprendam de forma profundamente significativa, assim serão preparados alunos que buscam os conhecimentos e prontos para enfrentar os problemas e conduzir projetos inovadores (BLIKSTEIN, 2010)
Ambas as tecnologias ABProb e ABProj possuem uma eficiente e eficaz contribuição para a aprendizagem no contexto da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil
A aula planejada pela família segue os pressupostos da Metodologia Ativa?
Tendo em vista os pressupostos estudados, “concluímos que o plano de aula criado, baseado na metodologia CANVAS (business model de gerenciamento estratégico aplicado principalmente para o âmbito empresarial)”, adaptado como referencial para elaboração de plano de aula, segue em partes o que rege as Metodologias Ativas, acompanhada na resenha supra.
Um aspecto que não se enquadra na proposta da metodologia ativa foi o fato da aula planejada, ser elaborada apenas com a participação dos professores, sendo que na metodologia ativa, o aluno deixa de ser passivo e passa interagir, trazendo suas dúvidas ou problemas para sala de aula, perguntando, participando tendo o professor como mediador.
Agora, com outras leituras, é possível perceber a necessidade da construção e mediação dos conflitos, uma vez que a aula abordada apenas se tratava de uma palestra com o tema Cidadania, criada, planejada e executada por profissionais previamente definidos, tendo como participação do aluno, apenas a realização das atividades propostas, e os professores seriam mediadores dessas atividades, anulando parcialmente os pressupostos da metodologia ativa.
Entendemos que o aluno deveria participar da elaboração do projeto/aula desde o início, desde a proposta do tema a ser debatido até a busca pela integração dos profissionais das diferentes áreas, pelo ambiente em que se daria a palestra, a divulgação do debate, até a elaboração das atividades avaliativas.
Por essa ótica, o planejamento, execução e avaliação deveria ser construída coletivamente, por meio da autonomia, sendo assim compreende-se que a atividade atingiu parcialmente a proposta.
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